A eutanásia e a prática da hospitalidade

A eutanásia e a prática da hospitalidade

A prática de eutanásia é sustentada pela teoria na qual o doente incurável tem o direito de poder escolher o destino de sua própria vida. Quando estiver inconsciente pelos intoleráveis sofrimentos, físicos ou psíquicos, quem tem o direito de tomar essa decisão é a família ou responsáveis. O ato de promover a morte antes do que se espera, por motivo de compaixão, diante de um sofrimento penoso e insuportável, sempre foi motivo de reflexão por parte da sociedade (FRANÇA, 2004). Parentes ou responsáveis tem a incumbência de se sentirem aptos a tomar essa decisão. Muitas vezes, os seus estados psicológicos tornam-se fragilizados e a equipe médica por questões de solidariedade passa a ter atitudes hospitaleiras. Como diz Castelli (2010), a sensibilidade diz respeito aos sentimentos e às sensações. Os sentimentos referem-se à capacidade do sentir: sentir entusiasmo, emoção, amor e afeição. Paralelamente, as sensações referem-se às percepções.

Ou seja, trata-se da capacidade de perceber o que se passa ao redor.

A hospitalidade é totalmente condizente ao serviço efetuado pelos profissionais desta área. Quando o serviço é um resultado de compaixão e generosidade, faz com que os afetados se confortem.

Lyra (2008) torna isso ainda mais esclarecedor: “os cuidados de enfermagem eram sempre considerados (pelos familiares) os mais qualificados possíveis, tais como repletos de respeito, carinho e emoções a cada visita, como eles mesmos aludiam”. De acordo com Gonçalves (1989), a principal característica que distingue o hospital das demais organizações é a prestação de serviços, cuidados e tratamentos para pacientes individuais. Principalmente, com os familiares, o processo deve ser diferenciado, por estarem fragilizados com a perspectiva da eutanásia: esse tipo de morte, envolve todo um contexto sentimental. A dedicação e o tratamento dos profissionais devem ser diferenciados, por estarem muito fragilizados emocionalmente.

Ao passar do tempo, cada vez é mais aceita a ideia de que é possível uma morte digna e as famílias já admitem o direito de decidir sobre o destino de seus enfermos, para os quais os meios terapêuticos disponíveis não conseguem outras soluções. A compaixão é uma das formas de amenizar esta derradeira definição. E, a partir deste ato de compaixão, diz Stockman (2009) que a decisão de ajudar vem efetivamente, a fim de abreviar o sofrimento: adoça-lo e cura-lo.

Gabriele Giuriatti

REFERÊNCIAS

CASTELLI, Geraldo. Hospitalidade: a inovação na gestão das organizações prestadoras de serviços. São Paulo: Saraiva, 2010.

FRANÇA, Genival Veloso. Medicina legal. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2004. 

GONÇALVES, E.L. Fundamentos, método e pesquisas. São Paulo, Pioneira, 1993.

LYRA, Carlos Roberto da Silva; CARVALHO, Vilma. Conceito de conforto na perspectiva de clientes e de enfermeiras em unidades de internação hospitalar. Journal of Nursing UFPE. Recife, v. 3, n. 2, 2009. Disponível em: <http://www.revista.ufpe.br/revistaenfermagem/index.php/revista/article/viewArticle/314>. Acesso em: 25 jun. 2016.

STOCKMAN, René. O debate da eutanásia: um caminho sem fim? Bruxelas, 05 out. 2009. Disponível em: <http://www.ieb-eib.org/nl/document/o-debate-da-eutanasia-um-caminho-sem-fim-80.html>. Acesso em: 25 jun. 2016.

Comentários:1

  1. Cleon Gostinski

    No Brasil a eutanásia é crime. Em outros países, como a Holanda, não. Esta é uma questão bastante polêmica. Qualquer que seja a linha de conduta legal, a ação de atender o hóspede-paciente deve atender os mais adequados princípios de hospitalidade da equipe médica, de enfermagem e de todos os envolvidos.

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