A hospitalidade “nata” do brasileiro

A hospitalidade “nata” do brasileiro

Muito se diz do povo brasileiro ser alegre, descontraído, amigável, emotivo e bem humorado. Estas características, talvez tenham se criado a partir da miscigenação de que é formado o povo brasileiro e que também, por isso, seja considerado por muitos estrangeiros um povo hospitaleiro. Segundo Pimentel (2012, p. 7): […] a miscigenação da cultura ibérica com a negra e a indígena e com a realidade social brasileira imersa em uma ruralidade de um país colonial, gerou-se um amálgama racial de uma cultura que teve por alicerce a servidão e a subserviência ao estrangeiro que era tido como o mais forte e importante, o trazedor de boas novas. Esse amálgama trouxe aos brasileiros os contornos e o reflexo de traços marcantes da personalidade cultural brasileira: a hospitalidade e a cordialidade.

Estas características que favorecem a hospitalidade do povo brasileiro, gerou um logotipo conhecido como “jeitinho brasileiro”. Assim, no cotidiano, o brasileiro para resolver as situações e atender as pessoas desdobra-se em soluções, nem sempre com a melhor legitimidade, mas que encantam “os estrangeiros a ponto de fasciná-los”  (PIMENTEL, 2012, p. 7).

O famoso “jeitinho brasileiro” pode levar a uma hospitalidade não alicerçada em valores saudáveis, pouco profissional, mas sim cotributiva para que o visitante tenha uma falsa vivência da realidade e da cultura local (VIEIRA apud Pimentel, 2012, p. 4).

A hospitalidade voltada ao turismo é bastante complexa, uma vez que são oferecidos aos turistas produtos com serviços personalizados, que envolvem as quatro esferas da hospitalidade, relacionados à viagem […] hospitalidade virtual, […] hospitalidade pública, […] hospitalidade comercial […] hospitalidade doméstica. (WATANABE, 2012, p. 30).

Em muitos casos é preciso haver um conhecimento maior sobre o assunto, e, para isso, é clara a necessidade de uma formação adequada. De acordo com Algemiro e Rejowski (2015, p. 19):

Para que haja profissionais eficazes que possam minimizar as lacunas da prestação de serviços e do receptivo turístico de qualidade, a sua formação necessita do conhecimento científico que possa integrar a visão mercadológica à acadêmica, e vice versa. Com isso, a oferta de cursos técnicos e superiores na área poderia se encaminhar para a melhor preparação e capacitação de profissionais diante das exigências da contemporaneidade e das especificidades do local ou região em que se inserem.

Com isso entende-se que a qualificação profissional é essencial, para que não se alicerce a hospitalidade no perigoso “jeitinho brasileiro”.

Pimentel (2012, p. 13), conclui: é “[…] necessária uma melhor qualificação do profissional turístico para que, além do conceito positivo do povo brasileiro no âmbito social, haja também uma positividade quanto às características profissionais”.

Mirana Maria Domingues Troglio

REFERÊNCIAS

ALGEMIRO, Marcia; REJOWSKI, Mirian. Formação técnica e superior em turismo e hospitalidade no Rio de Janeiro. Revista de Turismo Contemporâneo. Natal, v. 3, n. 2, p. 318-338, jul./dez. 2015. Disponível em: <www.periodicos.ufrn.br/turismocontemporaneo/article/view/7710>. Acesso em: 02 maio 2016.

PIMENTEL, Raphael Fellipe Diniz. A hospitalidade brasileira no mercado turístico internacional. Observatório de Inovação do Turismo. 2012, v. 7, n. 2, Rio de Janeiro. Disponível em:<www.spell.org.br/documentos/download/9049>. Acesso em: 02 maio 2016.

WATANABE, A. Andressa Alves. Agenciamento turístico e hospitalidade. Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia. Curitiba, 2012. Disponível em: <http://netapi.ifpi.edu.br/etapi/docs/Eventos/AgenciamentoTuristico/Agenciamento%20Tur%EDstico%20e%20 Hospitalidade.pdf>. Acesso em: 2 maio 2016.

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