A hospitalidade traduzida pela visão do turista

A hospitalidade traduzida pela visão do turista

A maneira como o indivíduo se vê, assim como a percepção do ambiente físico que lhe rodeia, segundo Lent (2004) são formas individuais de percepção que atuam direta ou indiretamente nos processos de decisão e projeção que o turista terá sobre o ambiente e a arquitetura do lugar visitado.

Segundo Jones e Lockwood (2004) a percepção se associa com a construção de mapas cognitivos: algo único de um indivíduo, como relatam os autores:

a visão dos lugares, territórios, do mundo onde o homem vive é própria, e a representação deste mundo percebido advém dos comosímbolos, de uma construção mental decorrente da apreensão de significados, em que a razão não decodifica essas imagens. Estas imagens espaciais foram denominadas a princípio de mapas cognitivos, mapas conceituais e posteriormente mapas mentais.

Para Ross (2002) todas as formas de viagens e novos lugares, envolvem uma forma indeterminada de cognição, visto que turistas e viajantes buscam por encontrar destinos e atrações, procurando por compreender tudo que esta a sua volta. E para Lent (2004), essa assimilação ocorre a partir da somatória de quatro fatores:

Condição Ambiental (temperatura, qualidade do ar, ruído, música e odor), Condição Física (layout, equipamentos, cores, artigos de decoração e espaço) e Condição Social (característica dos consumidores, número de consumidores, características das forças de venda).

Buscando compreender, portanto, os possíveis níveis de satisfação do hóspede em relação aos ambientes turísticos, Cruz (2002) pondera:

satisfação ou insatisfação em relação a uma determinada viagem depende, é claro, da percepção do viajante. Expectativa, experiência e memória têm a ver com a realidade da mente, inatingíveis e imateriais, que não deixam os porquês das viagens visíveis, palpáveis ou verificáveis nem as razões pelas quais uma mesma viagem pode ser vivida de tantas maneiras diferentes.

Segundo Grinover (2002) analogias entre projeção de expectativas e a correspondente concretização na ação de hospitalidade de forma direta ou indireta sempre fizeram parte do turismo. Deste modo, os ambientes bonitos e bem construídos tendem a chamar a atenção positivamente e acolhem o hóspede mesmo que apenas pela visão, enquanto locais em más condições tendem a causar desconfianças, decepções e/ou uma descrença com o possível atendimento prestado na localidade. Sabe-se que a visão remete ao efeito de ver.

Na verdade, a percepção positiva (boa hospitalidade) do hóspede parte do reconhecimento de elementos fundamentais até questões complexas ligadas a suas necessidades emocionais. Grinover (2002) enumera alguns dos elementos básicos, quais sejam:

sinalização, placas, sinais de identificações de locais e demais que visam facilitar a locomoção do turista na cidade. A partir deles, o turista começa a formar o conceito hospitaleiro de cada um dos locais pelos quais trafega.

Jones e Lockwood (2004) relatam:

há cidades que oferecem espontaneamente informações que permitem ao estrangeiro se encontrar diretamente sem dificuldades, aquela que faz o dom de uma informação tão abundante quanto possível, aquela que por isso mesmo, procura identificar-se e ser identificada. Isso é o que se poderia chamar de “hospitalidade informacional”, oferecidas pelas autoridades políticas e administrativas. Em cidades bem identificadas, o estrangeiro sente-se acolhido, ou seja, bem recebido, ele sabe onde anda, ele encontra o que procura.

Ainda para Grinover (2002), associando imagens a determinado lugar, o indivíduo incorpora alguns sentimentos, lembrança e situações. Assim é a relação entre turista e arquitetura. Ele não quer ver algo que lhe traga sentimentos desagradáveis, não quer ver o que não merece ser visto. É necessário frisar que agradar ao turista quanto as suas expectativas não é uma tarefa fácil. Cada indivíduo, possui uma ideação própria, fruto de seu caráter e personalidade distinta.

Araujo (2011) alega que cidades bem conservadas com é o caso de Maldonado no Uruguai, são mais capazes de criar correspondências positivas com as ideações dos turistas. As políticas públicas que determinam incentivos à população em função de práticas de conservação dos espaços públicos, acarretam em resultados que estabelecem empatia junto aos turistas: cidades limpas, conservadas e hospitaleiras, uma vez que fazem com que o turista se sinta convidado/motivado a conhecer todas as regiões e pontos turísticos.

A visão e a busca do indivíduo pelo conhecimento, através do ver, possuem uma relação um tanto quanto difusa e interdependente. O turista busca o conhecer, logo ao conhecer aguça direta ou indiretamente sua percepção julgando o elemento hospitaleiro ou não.

Henrique Ruckert Heldt

REFERÊNCIAS

ARAUJO, Cristina Pereira de. Terra à vista!: o litoral brasileiro na mira dos empreendimentos turísticos imobiliários. São Paulo: USP, 2011. Disponível em: <http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/16/16139/tde-19012012-140819/pt-br.php>. Acesso em: 02 jul. 2016.

CRUZ, Rita de Cássia Ariza. Hospitalidade turística e fenômeno urbano no Brasil: considerações gerais. In: DIAS, C. M. de Moraes. Hospitalidade: reflexões e perspectivas. São Paulo: Manole, 2002.

GRINOVER, Lúcio. Hospitalidade: um tema a ser reestudado e pesquisado. In: Dias, C. M. de Moraes. Hospitalidade: reflexões e perspectivas. São Paulo: Manole, 2002.

JONES, Peter; LOCKWOOD, Andrew. Administração das operações de hospitalidade. In: LASHLEY, Conrad; MORRISON, Alison. Em busca da hospitalidade: perspectivas para um mundo globalizado: São Paulo: Manole, 2004.

LASHLEY, Conrad; MORRISON, Alison. Em busca da hospitalidade: perspectivas para um mundo globalizado: São Paulo: Manole, 2004.

LENT, Robert. Cem bilhões de neurônios. São Paulo: Atheneu, 2004.

ROSS, Glen F. Psicologia do turismo. São Paulo: Contexto, 2002.

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