A metamorphose olímpica precisa funcionar

A metamorphose olímpica precisa funcionar

Um megaevento como as olimpíadas pode transformar uma cidade, considerando o investimento realizado para que elas ocorram da melhor maneira possível, mas também para garantir ampla visibilidade internacional e, assim, impulsionar o local turisticamente.

Um bom exemplo de cidade que se transformou para melhor é Barcelona na Espanha,  que após as olimpíadas incrementou sensivelmente o seu turismo: “Los hoteles de Barcelona baten todos los récords en el 2015” (LA VANGUARDIA, 2016). Ela se desenvolveu como cidade “foram realizados grandes investimentos em obras e melhorias na infraestrutura urbanística, investimentos que trouxeram maior qualidade de vida para a população” (BUDNAK, 2014, p. 11). O fenômeno se explica pela forma como os espanhóis definiram o perfil do evento:

para Barcelona, a candidatura Olímpica relacionou-se a um plano de desenvolvimento urbano. O impacto catalisador da candidatura ensejou uma oportunidade da cidade atrair consideráveis níveis de investimentos tanto públicos quanto privados, estabelecer novos setores industriais e de serviços e usar sua localização geográfica como ponte entre o norte e o sul da Europa, precisamente no momento do lançamento do Mercado Comum Europeu (EU) em 1992. (DACOSTA; RODRIGUES; TERRA, 2008, p. 139).

Já em Atlanta nos Estados Unidos, as olimpíadas de 1996 não tiveram boa repercussão: “desorganizada – certamente esta foi uma das palavras mais utilizadas, tanto pela imprensa quanto pelo público que lá esteve, para descrever os Jogos” (ISHIY, 1998, p. 56). Portanto, a falta de uma adequada visão estratégica de longo prazo não contribuiu para uma boa visibilidade para a cidade.

DaCosta, Rodrigues e Terra (2008, p. 135) ensinam que “o impacto primário se relaciona com as receitas e custos específicos dos Jogos; o impacto secundário refere-se ao investimento em infraestrutura e ao desenvolvimento urbano subsequente que confere substância ao legado pós Jogos.”

Especificamente sobre as políticas de adequação social da população de Atlanta para a olimpíada, os autores (2008, p. 178) destacam: os Jogos Olímpicos de Atlanta constituíram um modelo bem sucedido de planejamento e organização em vários aspectos, mas foram mal sucedidos em especial quanto aos direitos do cidadão. O evento não provocou o impacto esperado na regeneração urbana, especialmente nas áreas empobrecidas da cidade. O deslocamento da população não aconteceu da forma prevista. As comunidades mais pobres se distanciaram do chamado “Anel Olímpico”, ficando desalojadas e sem os atendimentos e benefícios prometidos. A situação atingiu mais diretamente à comunidade negra. Segundo estimativas, houve o deslocamento de 68 mil pessoas, das quais de 22 mil eram proprietárias de imóveis. De cada 20 pessoas deslocadas, 19 eram negros.

Barcelona diferente de Atlanta, investiu bem nos contextos dos impactos primários e secundários conquistou novas perspectivas para seus cidadãos:  “Barcelona, hoje, é uma das cidades europeias que apresenta melhor qualidade de vida e a quarta melhor para se implantar um negócio”. (DACOSTA; RODRIGUES; TERRA, 2008, p. 168).

REFERÊNCIAS

Giuliano De Camillis

BUDNAK, Angélica Samsel et al. Barcelona/ES: êxito no planejamento urbano. Anais do 12º Encontro Científico Cultural Interinstitucional. 2014. Disponível em: <http://www.fag.edu.br/upload/ecci/anais/5595390b25bf9.pdf>. Acesso em: em 28 abr. 2016.

DACOSTA, Lamartine P.; RODRIGUES, Rejane Penna; TERRA, Leila Mirtes Magalhães Pinto Rodrigo. Legados de megaeventos esportivos. 2008. Disponível em: <http://www.esporte.gov.br/arquivos/sndel/esporteLazer/cedes/LegadosMegaeventosEsportivos.pdf >. Acesso em: 28 abr. 2016.

ISHIY, Morupi. Turismo e megaeventos esportivos. Revista Tursimo em Análise. v. 9, n. 2, 1998. Disponível em: <http://www.revistas.usp.br/rta/article/view/63442/0>. Acesso em: 28 abr. 2016.

SUNÉ, Ramon. Los hoteles de Barcelona baten todos los récords en el 2015. La Vanguardia. 23 jan. 2016. Disponível em: <http://www.lavanguardia.com/local/barcelona/20160122/301601168493/hoteles-barcelona-record-2015.html>. Acesso em: 28 abr. 2016.

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