Acessibilidade hoteleira: contínuo desafio de hospitalidade

Acessibilidade hoteleira: contínuo desafio de hospitalidade

Há “algum tempo atrás um bom chuveiro e um bom colchão eram grandes diferenciais para atrair e fidelizar os hóspedes num hotel.” (REVISTA HOTÉIS, 2011) Com o passar do tempo, com descobertas tecnologias e métodos de atendimento, e com a concorrência acirrada, os hotéis começaram a implantar inovações para que se destacassem no mercado. O que mais marcou como diferencial nesse período foram a hospitalidade (CASTELLI, 2010) e a implantação de sistemas de acessibilidade (REVISTA HOTÉIS, 2011).

Segundo Garcia Júnior et al. (2013), de acordo com os dados do censo do IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, realizado em 2010, há cerca de 13 milhões pessoas com deficiência motora somente no Brasil. Ser hospitaleiro com esse público sem a infraestrutura correta não é possível. Por isso, alguns hotéis continuam investindo na contratação de arquitetos e engenheiros para tornarem seus empreendimentos acessíveis, para poder bem acolher, incluir/aperfeiçoar e oferecer um serviço de qualidade.

Embora alguns hotéis brasileiros ainda não estejam conscientes dessa adaptação, já existe uma Lei Federal – 5296/04 (BRASIL, 2004) que estabelece normas gerais e critérios básicos para a promoção da acessibilidade das pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida. “Faltam diversas ações, mas principalmente atitudes. Não se fala aqui de ousadia ou coragem. Fala-se de compromisso social, de inteligência, da obediência à lei e de dinheiro”, afirma Frederico Viebig, Diretor da Arco Sinalização Ambiental em uma entrevista para a revista Hotéis. “A grande maioria dos hotéis brasileiros se preocupa com ações de sustentabilidade, mas não investem na acessiblidade para receber hóspedes com deficiência o que pode representar um grande diferencial competitvo” (REVISTA HOTÉIS, 2011)

Os empreendimentos hoteleiros que já perceberam a oportunidade de aumentar o seu público consumidor e ainda contribuir para a inclusão social estão superando desafios arquitetônicos. Contudo, para um local ser considerado acessível é preciso de produtos e equipamentos diferenciados que tornem o local de fácil acesso a essas pessoas (MINISTÉRIO DO TURISMO, 2006). Isso inclusive irá beneficiar o turismo da terceira idade, devido a dificuldade de locomoção de parte deste público. Por isso, os hotéis estão buscando uma maneira de instalar esses equipamentos sem impactar no aspecto visual. O grande desafio é fazer com que o ambiente fique acolhedor.

A concorrência acirrada entre o mercado hoteleiro é um fato na atualidade e é preciso pesquisar novas tendências e aderir novas tecnologias para se destacar. A acessibilidade é uma ótima estratégia para atrair mais hóspedes (PALUMBO, 2015), devido ao grande número de pessoas que necessitam de locais adaptados. Para isso, é preciso que o hotel tenha além de estrutura uma boa cultura na sua empresa, empregando a hospitalidade e treinamento da mão de obra para saber como lidar com esse tipo de público.

Jean Carlo Cabrino

REFERÊNCIAS

BRASIL. Decreto nº 5296. […] estabelece normas gerais e critérios básicos para a promoção da acessibilidade das pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzido … Presidência da República. Luiz Inácio Lula da Silva e José Dirceu de Oliveira e Silva. Rio de Janeiro, 2 dez. 2004. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2004/decreto/d5296.htm>. Acesso em: 3 jul. 2016.

CASTELLI, Geraldo. Hospitalidade: a inovação na gestão nas organizações prestadoras de serviços. São Paulo: Saraiva, 2010.

GARCIA JÚNIOR, Aurasil Ferreira et al. Elevador ortostático para treinamento da marcha e integração … Revista Ciência em Extensão. São Paulo: UNESP, v. 9, n. 3, 2013. Disponível em: <http://200.145.6.204/index.php/revista_proex/article/view/1009/924>. Acesso em: 2 jul. 2016.

MINISTÉRIO DO TURISMO. Manual de recepção e acessibilidade de pessoas com deficiência a empreendimentos e equipamentos turísticos. Brasília, 2006. Disponível em: <http://www.acessibilidade.org.br/manual_acessibilidade.pdf>. Acesso em: 2 jul. 2016.

PALUMBO, Luciano. Acessibilidade no turismo como diferencial competitivo. São Paulo, 2015. Disponível em: <http://turismoetc.com.br/acessibilidade-no-turismo-como-diferencial-competitivo>. Acesso em: 1 jul. 2016.

REVISTA HOTÉIS. Acessibilidade na hotelaria: um degrau que faz a diferença. São Paulo: 18 abr. 2011. Disponível em: <http://www.revistahoteis.com.br/acessibilidade-na-hotelaria-um-degrau-que-faz-a-diferenca>. Acesso em: 1 jul. 2016.

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