As consequências da realização de megaeventos esportivos

As consequências da realização de megaeventos esportivos

Grandes eventos esportivos, com toda certeza causam grandes transformações nas cidades em que são realizados. Tais transformações podem trazer impactos positivos ou negativos, que podem ser visualizados a curto e a longo prazo, além de causarem fortes movimentações políticas, sociais, culturais e ambientais, que passam ao público que comparecerá ao evento uma imagem positiva ou negativa da cidade-sede.

Hall citado por Silva (2005, p. 17) fornece uma esclarecedora definição: megaeventos tais como as Feiras Mundiais e Exposições, a Copa do Mundo ou as Olimpíadas são eventos especificamente direcionados para o mercado de turismo internacional e podem ser adequadamente descritos como ‘mega’ em virtude de sua grandiosidade em termos de público, mercado alvo, nível de envolvimento financeiro, do setor público, efeitos políticos, extensão de cobertura televisiva, construção de instalações e impacto sobre o sistema econômico e social da comunidade anfitriã.

Os impactos causados por grandes eventos esportivos também podem modificar drasticamente o estilo de vida e a rotina diária da população dos seus entornos, e como afirma Ishyi (1998, p. 51), esses impactos serão mais acentuados quanto maior for a importância da competição em termos de público. Ou seja, eventos como copa do mundo e olimpíadas, que fazem com que milhares de pessoas se desloquem de seus países de origem para o pais sede, causam impactos bem mais significativos do que eventos de nível nacional como o campeonato brasileiro de basquete. Tais impactos na rotina diária da população podem ser vistos, por exemplo, na construção de metrôs em cidades que anteriormente não possuíam este serviço. A obra em questão, causa um impacto direto no serviço de transporte público da cidade, o que leva à população a mudar sua rotina que anteriormente era a utilização de outros meios de transporte coletivo. Assim, é possível visualizar com mais facilidade como uma obra feita para um determinado evento pode modificar o estilo de vida e a rotina dos moradores de uma determinada região.

Gunn e Rejownski mencionados por Ishiy (1998, p. 50) citam como os principais impactos positivos decorrentes de megaeventos: – aumento no ingresso de divisas, provenientes dos gastos efetuados pelos fluxos de turistas, venda de bilhetes, financiamentos governamentais, privados ou do exterior, patrocinadores e (mais frequente em eventos de grande porte) venda de direitos de transmissão para emissoras de rádio e televisão;

– melhoria dos equipamentos turísticos (ex: os meios de hospedagem) e da infraestrutura de apoio (sistemas de transporte e comunicação, redes de água e de esgoto, etc.) e de lazer (estádios, ginásios, centros de treinamento, parques, etc.);

– surgimento ou incremento de mão-de-obra melhor qualificada;

– intercâmbio cultural: possibilidade de contato dos residentes com visitantes de outras partes do país ou com estrangeiros;

– divulgação de uma imagem positiva do local que sediou o evento, no caso do seu sucesso.

Ishiy (1998, p. 50-51) ainda dialoga com Gunn e Rejownski revelando os principais pontos negativos:

– os benefícios econômicos são limitados quando as empresas que atuam no setor turístico local têm suas sedes em outros países;

– aumento no custo de vida local, em virtude do fluxo de visitantes maior do que o habitual e da exploração do turista;

– a introdução de hábitos, costumes e vícios estranhos aos moradores locais, podendo provocar conflitos com os turistas, variando desde o ressentimento e a desconfiança até o ódio e a xenofobia;

– eventuais danos causados ao patrimônio material (monumentos históricos, prédios públicos, residências particulares, etc.) e natural (praias, rios, áreas verdes), provocados tanto pelos visitantes ou turistas quanto pelos proprietários de equipamentos turísticos;

– grande parte dos empregos criados no local durante a fase pré-evento é temporária e tende a “desaparecer” após sua realização;

– divulgação de uma imagem negativa da cidade ou país-sede, no caso da ocorrência de algum fator que prejudique a organização do evento (ex: atentados terroristas, deficiências na infraestrutura de apoio, desastres naturais, etc.). Tendo em vista os dados informados, é possível concluir que, a realização de um megaevento pode trazer os mais variados benefícios e/ou malefícios para a cidade-sede, e que os mesmos dependem muito do auxílio do poder público local para que sua realização, assim como sua infraestrutura seja satisfatória e que toda a operação flua normalmente. A população que reside no local onde será realizado um megaevento é a que mais se beneficia com ele, pois ao final de tudo, a estrutura construida e os beneficios conquistados serão desfrutados pela população.

Pablo Henrique Lima da Silva Barrudada

REFERÊNCIAS

ISHIY, Morupi. Turismo e megaeventos esportivos. Revista Turismo em Análise. n. 2, v. 9, 1998. São Paulo: USP, p.48-61. Disponível em: <http://www.revistas.usp.br/rta/article/view/63442/0>. Acesso em: 25 abr. 2016.

SILVA, J. Gestão da segurança em megaeventos esportivos. In: DACOSTA, Lamartine (Org.). Atlas do Esporte no Brasil. Rio de Janeiro, set. 2005. Disponível em: <http://www.atlasesportebrasil.org.br/textos/161.pdf>. Acesso em: 29 abr. 2016.

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