Buscando a fusão entre gastronomia e hospitalidade

Buscando a fusão entre gastronomia e hospitalidade

A gastronomia possui um conceito cheio de significados. Para muitos, ela se diferencia de alimentação por si só, consiste na designação de um segmento de serviço. Para Maria Lucia Gomensoro (1999, p. 195), significa “à arte do bem comer e do saber escolher a melhor bebida para acompanhar a refeição”. Gastronomia pode ser conceituada também como a arte de cozinhar, envolvendo sentidos como tato, olfato, visão e paladar obviamente, assim como salienta (Gimenes 2010): de forma contemporânea, considerando a complexidade e amplitude do tema, a gastronomia passou a ser compreendida como o estudo das relações entre a cultura e a alimentação, incluindo os conhecimentos das técnicas culinárias, do preparo, da combinação e da degustação de alimentos e bebidas, e ainda dos aspectos simbólicos e subjetivos que influenciam e orientam a alimentação humana.

Nos dias de hoje, pode-se constatar que a gastronomia no sentido de segmento de serviço é muito importante para a hotelaria, já que com ela é possivel criar um diferencial na prestação de um serviço. O turismo e a gastronomia andam cada dia mais atrelados, assim como Andrade (2014, p. 80) ao citar Greg Richards (2001) afirma: “uma grande parte da experiência turística é passada ao comer ou a beber, ou ainda, a decidir o quê e onde comer”.

Em um mercado competitivo como o de hoje, os clientes buscam por experiências memoráveis durante as prestações de serviços, então, atrelando a gastronomia e os meios de hospedagem de forma harmoniosa, é possível ofertar ao cliente essas experiências, que é o objetivo que o mercado atual de serviços busca.

Mas a experiência turística-gastronomica não se resume aos meios de hospedagem, a culinária regional também tem grande importância em um contexto atual, assim como salienta Loockwood e Medlik (2003), a gastronomia é também considerada como fonte de entretenimento e, em muitas regiões que não apresentam recursos ou atrativos, tem servido para atrair visitantes. Assim, é possivel visualizar de forma mais prática a sua abrangência dentro do âmbito turístico, e como a mesma pode ser um grande diferencial de atração de clientes não só para os meios de hospedagem, mas para toda uma região.

Segundo Castelli (2006) o processo de hospitalidade é definido pelos atos de receber, hospedar, entreter, alimentar e despedir-se do cliente. Porém, para que o processo seja completo, nenhuma das fases pode ser esquecida e devem ser realizadas de bom grado. Contudo, o processo de hospitalidade é ao mesmo tempo simples e complexo e, ainda, situacional, pois uma atitude que pode ser considerada por muitos como hospitaleira e de bom grado, para outros pode ter outro significado. Por exemplo, quando um recepcionista atende a um grande executivo que passou o dia inteiro trabalhando, ele não pode ter a mesma atitude e atendimento que teve com uma família que está de férias no hotel, pois são dois perfis de público bem diferentes.

Andrade (2014, p. 120) afirma que, “a atividade turística implica diversas cadeias de elementos que envolvem desejos, sentimentos, intenções e expectativas do consumidor que compra um produto sem antes tê-lo experimentado”. A hospitalidade, assim como o turismo, também precisa cumprir cadeias de resposta para atingir as expectativas do consumidor. Então, depende dos profissionais dos meios de hospedagem e de todas as áreas envolvidas no setor de turismo atingir a real expectativa que o cliente deseja, a partir de uma atitude hospitaleira.

A gastronomia entra neste emaranhado de detalhes como fator de necessidade, prazer e até mesmo de status, tendo em vista a grande quantidade de restaurantes de alta gastronomia presente nos grandes polos turísticos atualmente. E, desta forma, agregar a culinária, principalmente a regional, dentro do processo de hospitalidade não só é fundamental como também é um fator de diferencial competitivo.

REFERÊNCIAS

Pablo Henrique Lima da Silva Barrudada

ANDRADE, Diego. A Gastronomia como diferencial de hospitalidade e entretenimento: uma análise virtual. Observatório de Inovação do Turismo. Rio de Janeiro: FGV, v.8, n.2, 2014. Disponível em: <http://bibliotecadigital.fgv.br/ojs/index.php/oit/article/view/48219/46126>. Acesso em: 10 maio 2016.

CASTELLI, Geraldo. Hospitalidade: a inovação na gestão nas organizações prestadoras de serviços. São Paulo: Saraiva, 2010.

GIMENES, M. H. S. G. Sentidos, sabores e cultura … In: GAETA, C.; PANOSSO NETTO, A. Turismo de experiência. São Paulo: SENAC, 2010.

GOMENSORO, M. L. Pequeno dicionário de gastronomia. Rio de Janeiro: Objetiva, 1999.

LOCKWOOD, A.; MEDLIK S. Turismo e hospitalidade no século XXI. Barueri: Manole, 2003.

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