Considerando algumas relações entre turismo e cultura

Considerando algumas relações entre turismo e cultura

Na década de 1970, os estudiosos da antropologia tiveram dificuldade de diferenciar as mudanças geradas diretamente pelo turismo e os efeitos da modernização da sociedade. Depois de algumas décadas, esses estudiosos fizeram uma revisão em seus trabalhos e verificaram que o turismo não é o único elemento no processo de mudanças culturais, mas se mostra como meio de sociedades receptoras se desenvolvem economicamente. (MELLO, 2013).

Margarita Barretto (2003) conta que os estudos de antropologia preocupam-se com os impactos de certas formas de turismo, especialmente o cultural e o étnico. Grande parte dos estudos sobre turismo, tanto no Brasil quanto no exterior, focaram, principalmente, os impactos na cultura e na sua autenticidade e os processos de aculturação. Dentro do turismo, houve a necessidade de adequação para minimizar os impactos culturais negativos e potencializar os positivos, entender o que é cultura, o que é aculturação e o que é identidade, já que muitos promotores de turismo criam um atrativo ou um produto turístico que pode agregar cultura ou provocar perda da identidade. Para relativizar impactos culturais e determinar o que é desejável em termos de aculturação, é necessário entender de cidadania. É preciso ter claro que, em primeiro lugar, o turismo não é fator de aculturação isolado. A literatura científica proveniente da geografia, da sociologia e da antropologia levanta problemas que são chamados de impactos do turismo. Por outro lado, essa mesma literatura demonstra a revitalização do patrimônio cultural material e imaterial graças ao turismo, a revalorização da natureza, a limpeza de mares poluídos, a recuperação da identidade, demonstrando que o turismo tem impactos positivos. Vaz (2011) menciona Silva, que faz importante

colocação ao dizer que infraestrutura, saber e conhecimento, imagem, economia, comunicações e cultura são legados que determinam os benefícios dos megaeventos esportivos. E aqui tem-se a ligação de grandes eventos com enriquecimento cultural de um povo, lembrando o desenvolvimento que o turismo levou à cultura grega (CASTELLI, 2006).

Vaz (2011), ainda aborda os estudos de Reis, ponderando que a dinâmica dos tempos nos revela que as culturas não se congelam, adaptam-se. Da mesma forma acontece quando implanta-se o turismo. Portanto, a identidade se constrói dentro de um mecanismo que engloba a consciência de si mesmo e o reconhecimento do outro. (BETTIO apud Vaz, 2011)

Percebe-se que o turismo é um fenômeno intrinsicamente cultural. Isto significa que ele, ao mesmo tempo em que promove os atrativos de um determinado local, tem a capacidade de reforçar a identidade cultural ligada a eles, através do crescente reconhecimento e da disseminação de seus valores.

Leslie Neto Mendes

REFERÊNCIAS

BARRETO, Margarita. O imprescindível aporte das ciências sociais para o planejamento e a compreensão do turismo. Horizontes Antropológicos. v. 9, n. 20. Caxias do Sul. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0104-71832003000200002&script=sci_arttext>. Acesso em: 28 abr. 2016.

CASTELLI, Geraldo. Hospitalidade: a inovação na gestão das organizações prestadoras de serviços. São Paulo: Saraiva, 2010. MELLO, Rafaela da Silva Macedo. Turismo e Comunidades: uma breve análise da produção. Revista Itinerarium. UNIRIO. Rio de Janeiro. 2013. Disponível em: <http://seer.unirio.br/index.php/itinerarium/

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