Considerando facetas do Couchsurfing

Considerando facetas do Couchsurfing

O turismo está disseminado na cultura mundial, como afirma Castelli (2010, p. 80): a sociedade contemporânea vive a era do lazer, em que as viagens são uma das atividades mais apreciadas. O desejo de viajar foi incentivado, desde o século XIX, não somente pelo progresso dos meios de comunicação, fruto da Revolução Industrial, como também pela influência de homens ilustres da época, […], que pregavam a necessidade de os homens efetuarem não apenas trocas econômicas, mas também culturais e sociais.

No contexto pós-moderno (GRINOVER, 2009) novas configurações turísticas se estabelecem, a exemplo do que se passa a conhecer nos dias atuais como Couchsurfing (FIGUEIREDO, 2008).

Esta dinâmica contribui no auxílio de viajantes que se dedicam a desbravar diferentes territórios, a trabalho ou a lazer. Casey Fenton (nascido em 1978) é o seu criador. Em 2004, ele começou a ofertar serviços de hospitalidade, tendo a internet como plataforma de disseminação (FIGUEIREDO, 2008): um meio pelo qual turistas trocam favores, hospedando e sendo hospedados gratuitamente. Além de oferecer o seu “sofá”, a hospitalidade do anfitrião o torna um guia de sua cultura, pois cabe a ele apresentar ao seu hóspede o meio onde vive.

Entende-se que mesmo que o Couchsurfing (2004) venha para facilitar a viagem de turistas, ele trouxe consigo a cultura da hospitalidade. Esta conclusão se dá pelo fato de que o acerto de um compromisso, de receber e ser recebido, se baseia no histórico comportamental dos participantes. Acredita-se que um hóspede que traga consigo uma experiência benéfica de determinado local em que foi abrigado tenha sido recebido com cordialidade, empatia e respeito, ou seja, hábitos hospitaleiros.

A hospitalidade significa receber, abrigar, alimentar e cuidar do visitante. (CASTELLI, 2010)

Entretanto, para que isso seja possível, é necessária disposição de abdicar de tempo e proporcionar espaços de convivência. Além disso, ter uma cultura pessoal aberta às diferenças. Afirma Almeida (2016), “a hospitalidade traz a riqueza da ‘experiência do contato’: trata-se do convite para o exercício da sensibilidade, do questionamento dos próprios valores, da ética e, principalmente, da responsabilidade universal.” Compreende-se, então, que este meio social traz, aos seus participantes, facilidades, hospitalidade, novas experiências, mas também colabora para mudanças internas de cada indivíduo, pois os mesmos se questionam ao interagirem com outros, seus comportamentos e valores. Castelli (2010, p. 80), comenta: “muitas práticas do turismo fomentaram o espírito de compreensão e de entendimento entre pessoas e povos, contribuindo, de algum modo, para a formação de uma aldeia global mais humana e harmoniosa.”

Camargo (2004) entende, “a hospitalidade é sempre assimétrica. O donatário fica à mercê do doador”, ou seja, o hóspede necessita respeitar normas, costumes e se adaptar a cultura na qual passa a se inserir, pois na maior parte das relações que ocorrem nesta rede social, a hospedagem é dada pela boa vontade do anfitrião, pois pode não haver reciprocidade direta por parte da pessoa acolhida.

Toda a diversidade de pessoas que se pode encontrar ao imergir neste mundo de reciprocidade solidária, as vezes dificulta a distinção dos interesses dos participantes. Couchsurfing (2004) foi idealizado para pessoas que têm a necessidade de se abrigar em algum local por algum motivo, pessoas abertas a conviverem com desconhecidos, tendo uma certa segurança das mesmas por informações que buscaram anteriormente, mesmo sem a certeza dos fatos coletados. No entanto, alguns usuários se utilizam deste meio com fins distintos: pessoas com interesses em relacionamentos amorosos ou até com más intenções. Aos que coordenam o site é inviável e dificultoso selecionar os participantes por ser um meio social aberto, sem restrições. Cabe então, aos usuários serem honestos e generosos para compartilharem informações que contribuam para a segurança daqueles que o prezam e, assim, manterem a segurança um dos outros.

Tanise da Costa Chites

REFERÊNCIAS

ALMEIDA, Lucas Gamonal Barra. Hospitalidade. Minas Gerais: [s.n.], 2016.

CAMARGO, Luiz Octávio de Lima. Hospitalidade. São Paulo: Aleph, 2004.

CASTELLI, Geraldo. Hospitalidade: a inovação na gestão nas organizações prestadoras de serviços. São Paulo: Saraiva, 2010.

COUCHSURFING. Casey Fenton. 2004. Disponível em: <https://www.couchsurfing.com/people/casey>. Acesso em: 05 jun. 2016.

FIGUEIREDO, Ana Flávia Andrade. Sobre buscas e sentidos em uma rede mundial de viajantes: the couchsurfing project. Repositório Institucional da UFPE. Recife: UFPE, 2008. Disponível em: <http://repositorio.ufpe.br:8080/xmlui/bitstream/handle/123456789/559/arquivo1069_1.pdf?sequence=1&isAllowed=y>. Acesso em: 11 jun. 2016.

GRINOVER, Lucio. A hospitalidade na perspectiva do espaço urbano. Revista Hospitalidade. São Paulo, v. VI, n. 1, jun. 2009. Disponível em: <https://www.revhosp.org/hospitalidade/article/view/214/284>. Acesso em: 30 maio 2016.

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