Desenvolvendo consciência sobre a superexploração do meio ambiente pelo turismo e pela hotelaria

Desenvolvendo consciência sobre a superexploração do meio ambiente pelo turismo e pela hotelaria

A exploração do turismo, inegavelmente, causa impactos ecológicos e culturais. Ainda mais a partir do momento em que ela se atrela a uma estimulante indústria da experiência que se dispõe a não medir esforços para atender as cada vez mais exigentes demandas dos usuários. Promotores do turismo e a rede hoteleira se concentram em cumprir o que menciona Drummond (2016) citado por Gostinski (2016): “entregar a descoberta: isto é luxo!”. Mas que luxo é esse que necessita sobrepujar ecossistemas e culturas, para se fazer valer? Ferreira (2008) é claro em afirmar que toda atividade turística depende de um ambiente para acontecer, sendo natural ou não, com a intensa circulação de pessoas tende a ocorrer uma desfiguração do ambiente. Vali (2014), por sua vez, evidencia em seu documentário Gringos Trails o caso de uma praia paradisíaca na Tailândia que se transformou em uma grande área de festas de jovens estrangeiros. Já no Chile, no parque nacional mais conhecido como Torres Del Paine, dois brasileiros de maneira inadvertida queimaram resíduos. A ação resultou em uma queimada que exterminou 80% de mata virgem patagônica.

A relação entre o turismo e o meio ambiente é simbiótica, pois o turismo se sustenta do meio ambiente, que é deteriorado com extrema facilidade pelo descuido dos visitantes e, na grande maioria das vezes, pela falta de infraestrutura adequada do local.

Segundo Theobald citado por Dall’Agnol (2012) a degradação de ambientes pela ação turística é uma questão inerente a historia humana. Pondera que em um plano ideal o impacto positivo deveria sobrepujar o negativo. Entretanto, os benefícios obtidos advindos das estratégias de exploração turística são quase que insignificantes em comparação a degradação causada. “Os benefícios obtidos deveriam refletir melhorias econômicas, uma promoção social e cultural e a proteção dos recursos ambientais.”

De acordo com Ruschmann citado por Ferreira (2008), pessoas cansadas das grandes cidades e centros urbanos procuram fugir do estresse e de ambientes urbanos, o que pode gerar turistas ou visitantes alienados em relação ao meio ambiente. Atesta que os visitantes não possuem uma “cultura turística” e entendem que seu tempo de férias ou descanso é sagrado, devendo sobrepujar quaisquer objeções que surgirem, usufruindo pelo que pagaram, e não tendo interesse pela consequência das suas ações, que acabam por degradar o meio ambiente.

Com a expansão contínua do turismo e hotelaria, novas necessidades de infraestrutura vão surgindo; como os meios de hospedagens, restaurantes, saneamento básico, entre outros. Contudo, as implementações dos projetos acontecem de forma inadequada. Ignoram-se os efeitos sobre o ambiente local.

Os impactos do turismo em ambientes naturais estão associados tanto à colocação de infraestrutura nos territórios para que o turismo possa acontecer com a circulação de pessoas que a prática turística promove nos lugares. […] meios de hospedagem edificados em áreas não urbanizadas bem como outras infraestruturas a eles associados podem representar riscos importantes de desestabilização dos ecossistemas em que se inserem (CRUZ apud Ferreira, 2008).

A consciência sobre estas questões já está estabelecida. Neste sentido, já há ONGs especializadas: uma das principais se denomina Leave No Trace, que define sete princípios para uma ética voltada ao mínimo impacto em ambiente outside:

– Prepare-se e planeje com antecedência as suas incursões;

– Viaje ou acampe em locais de superfícies estáveis;

– Descarte seus resíduos apropriadamente;

– Não leve consigo elementos do meio ambiente;

– Minimize os impactos ambientais de sua estadia;

– Respeite a vida selvagem;

– Respeite os outros visitantes (LEAVE NO TRACE, 2012).

O objetivo é criar uma interação simbiótica com o meio ambiente, a fim de preserva-lo da melhor forma.

Henrique Ruckert Heldt

REFERÊNCIAS                    

DALL’AGNOL, Sandra. Impactos do Turismo x Comunidade Local. In: SEMINÁRIO DE PESQUISA EM TURISMO DO MERCOSUL. Anais 2012. Caxias do Sul: UCS, 2012. Disponível em: <http://www.ucs.br/ucs/tplVSeminTur%20/eventos/seminarios_semintur/semin_tur_7/gt02/arquivos/02/06_Dall_Agnol>. Acesso em: 28 abr. 2016.

FERREIRA, Andréia Fernandes Passos. Impacto do turismo sobre o meio ambiente. Sociedade e Cultura. 2008. Disponível em: <http://www.webartigos.com/artigos/impacto-do-turismo-sobre-o-meio-ambiente/10755>. Acesso em: 28 abr. 2016.

GOSTINSKI, Cleon. Dinâmicas de tendências em hospitalidade e hotelaria. Sinal Aberto. Canela, mar. 2016, ano 2, n.3. Disponível em: <http://www.cleongostinski.com/files/upload/30116215.pdf>. Acesso em: 28 abr. 2016.

LEAVE NO TRACE. The Leave No Trace Seven Principles. 2012. Disponível em: <https://lnt.org/learn/7-principles>. Acesso em: 02 maio 2016.

VALI, Pegi. “Gringo trails” official trailer — new!. [s.d]. vídeo. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=v5TzTNZvGIw>. Acesso em: 28 abr. 2016.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

1
Olá, podemos te ajudar?
Powered by