Escoffier e Ritz: possíveis lições para a hospitalidade brasileira

Escoffier e Ritz: possíveis lições para a hospitalidade brasileira

A tendência para os hotéis são os grandes chefes e menus estrelados. Por muito tempo se viu a relação entre hospedagem e gastronomia como dois setores distintos. Agora, porém, eles nunca foram tão indissociáveis (BRESS, 2016).

Em junho de 1898, César Ritz estava a revolucionar o conceito de hotelaria de seu tempo quando inaugurou o Hotel Ritz de Paris, implantando todas suas ideias a respeito de sofisticação e charme. Introduzindo novos hábitos, ele deu grande ênfase a gastronomia. E para faze-la um diferencial de seu hotel, convidou o conceituado chef Auguste Escoffier, “Rei dos Chefs e Chefs dos Reis”, para comandar seu restaurante e transforma-lo em um ícone de luxo. (PORTAL DA EDUCAÇÃO, 2015). “Não por acaso, o Hotel Ritz tornou-se uma das maiores estrelas da culinária francesa e passagem obrigatória para gourmets de todo o mundo.”(BRANDÃO, 2013)

Na verdade, “o entendimento e trabalho em equipe entre Ritz e Escoffier trouxeram as mudanças mais significativas ao desenvolvimento moderno da indústria hoteleira” (O EXPLORADOR, 2012). E, neste contexto, fica evidente que a gastronomia passou a demonstrar as melhores possibilidades de se fundir com a melhor hospitalidade. Nesta perspectiva, é possível se afirmar que Ritz é um dos grandes precursores do desenvolvimento do melhor receber no ramo hoteleiro. Seu pensamento sempre voltado para o bem-estar do hóspede fez com que ele reinventasse vários conceitos dentro dos hotéis.

“A hospitalidade na hotelaria ficou marcada pela preocupação de Ritz em atender a todos os caprichos dos clientes, mesmo sem terem sido solicitados.” (PLENTZ, 2007).

Na década de 50, grandes hotéis brasileiros começaram a introduzir alguns desses ideias, como o menu a la carte. Desde então, os investimentos têm sido cada vez maiores nesse setor dentro dos hotéis. (BRESS 2016)

Na atualidade, principalmente em função da realização de grandes eventos internacionais no Brasil como a Copa do Mundo de 2014 e, agora, as Olimpíadas 2016, a rede hoteleira demonstra vitalidade (MAGALHÃES, 2016, p. 34) em integrar-se nos mais avançados padrões de hospitalidade mundiais.

Como ensinam Ruschmann e Quadro (2008):

em face de competição entre os inúmeros pólos de turismo existentes no mundo, a elevação do nível de competitividade de um país ou região pressupõe o alcance de padrões internacionais de excelência, particularmente quanto à infraestrutura disponível e à qualidade dos serviços prestados.

Contudo, especificamente no Rio de Janeiro, os sistemas de turismo, como um todo, não tem revelado a mesma tenacidade daquela apresentada pela rede hoteleira. De acordo com a pesquisa de Pinheiro (2016, p. 58) a capacitação para a recepção turística tem sido pouco produtiva, apesar da instituição dos programas “Rio + hospitaleiro” e “Olá turista”.

Dentro da visão de Grinover (2016), o desenvolvimento de um perfil legitimamente hospitaleiro na atualidade envolve inúmeras e evolutivas complexidades. Não estaria o Brasil necessitando resgatar o expertise de Ritz e Escoffier para implementar ações efetivas?

Jean Carlo Cabrino

REFERÊNCIAS

BRANDÃO, Virgínia. Ritz Escoffier, École de Gastronomie Française: mais de um século aprimorando talentos. 2013. Disponível em: <http://correiogourmand.com.br/guias_gourmands_04_escolas_gastronomia_profissionalizantes_01_ritz_escoffier.htm>. Acesso em: 12 maio 2016. BRESS. Grandes chefes e menus estrelados viram tendências nos hotéis em 2016. 10 fev. 2016. Disponível em:<http://bresscomunicacao.com.br/tag/2016>. Acesso em: 12 maio 2016.

GRINOVER, Lucio. A cidade à procura de hospitalidade. São Paulo: Aleph, 2016.

O EXPLORADOR. Auguste Escoffier, chef francês, maior cozinheiro do século 19. 15 mar. 2012. Disponível em: <http://www.oexplorador.com.br/auguste-escoffier-chef-frances-maior-cozinheiro-do-seculo-19>. Acesso em: 12 maio 2016.

PORTAL DA EDUCAÇÃO. Os pioneiros do turismo. 27 maio 2015. Disponível em: <http://www.portaleducacao.com.br/turismo-e-hotelaria/artigos/63478/os-pioneiros-do-turismo>. Acesso em: 12 maio 2016.

MAGALHÃES, Lucas Figueira. As Olimpíadas de 2016: da captação dos possíveis legados socioeconômicos … Repositório Institucional. Niterói: UFF, 2013.

PINHEIRO, Clarice Rodrigues. Turismo de eventos … Repositório Institucional. Niterói: UFF, 2016.

PLENTZ, Renata Soares. Dialética da hospitalidade …  Caxias do Sul: UCS, 2007.  Disponível em: <https://repositorio.ucs.br/xmlui/bitstream/handle/11338/213/Dissertacao%20Renata%20S%20Plentz.pdf?sequence=1&isAllowed=y>. Acesso em: 15 maio 2016.

RUSCHMANN, Dóris de Van Meene; QUADRO, Luciane. Formação baseada em competências no turismo …. In: V SEMINÁRIO DE PESQUISA EM TURISMO DO MERCOSUL. Anais. Caxias do Sul: UCS, 27-28 jun. 2008.

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