“Eu não sou (paciente) eu só estou temporariamente doente”

“Eu não sou (paciente) eu só estou temporariamente doente”

A palavra “paciente” origina-se do (latim patiens, –entis): que ou quem sofre sem reclamar, conformado, resignado, submisso (PRIBERAM, 2008). Esta definição, por si só, serviria para abandonar a palavra “paciente” ao definir a pessoa enferma que se encontra hospitalizada.

O fato de estar doente e necessitar de serviços médicos e hospitalares não torna ninguém um ser, conformado, resignado e submisso. A dor física e psicológica que invade o enfermo, quando hospitalizado, já lhe causa muita fragilidade, mas isto não significa que sua “paciência” deva aflorar, muito pelo contrário. É neste momento que o enfermo necessita ser tratado com respeito e dignidade.

Conceitos atuais de hospitalidade em instituições de saúde vão além de proporcionar hospedagem e alimentação diferenciadas. A hospitalidade vai muito além de um espaço físico arquitetonicamente agradável e finamente decorado. Ela significa dar ao enfermo um conforto físico e humanizado. É pensar no detalhe para agradá-lo. Assim como se pensa em um cliente ao qual se quer encantar, ou seja, mudar o conceito de paciente para “cliente hospitalar”. O fato de chamá-lo de “paciente”, aquele que sofre sem reclamar, contradiz o novo conceito de atendimento hospitalar. (BARBOSA; MEIRA; DYNIEWICZ, 2013)

Em uma situação de dor aguda, num pós-operatório ou em “n” situações conflitantes, que um enfermo e sua família passam no interior de um hospital, o que conta é o pronto-atendimento de uma equipe qualificada e hospitaleira. Neste momento cabe uma abordagem humanizada. Isto significa que apesar do colaborador não estar sentindo a dor do enfermo, ele deve ser solidário e dar celeridade ao processo de atendimento e não simplesmente pedir ao “paciente” paciência!

No que se refere a semântica da palavra “paciente”, apenas mudar a nomenclatura não mudará paradigmas. Isto não basta. É preciso imprimir um espírito de equipe que incorpore sentimentos como: sensibilidade, empatia e humanidade, fazendo com que os hospitais não sejam um espaço de doença e sim um ambiente de saúde. (ROSA JUNIOR; SANTOS, 2008)

Voltando a etimologia das palavras, “a palavra hospital vem do latim hospes que significa hóspede, dando origem a hospitalis e a hospitium que designavam o lugar onde se hospedavam na antiguidade” (SANTOS; GOMES, 2009), além de enfermos, viajantes e peregrinos. (RENATTA, 2012) O local que hoje se chama de hospital é um lugar que surgiu como exemplo de hospitalidade, surgiu da necessidade de abrigar pessoas por diversos motivos. Contudo, este lugar representa os princípios básicos da hospitalidade: receber, hospedar, alimentar, entreter [cuidar] e despedir-se (CASTELLI, 2010).

Mudanças de paradigmas são normalmente difíceis ainda mais quando estas questões se referem a comportamentos humanos dentro de uma organização hospitalar. Ao implementar novos conceitos de atendimento, a grande dificuldade reside no elemento humano, que normalmente é resistente. Entretanto, a hospitalidade em instituições de saúde já é uma realidade dentro das mais importantes unidades hospitalares do Brasil. A partir disto, é premente que se estabeleça um novo conceito de tratamento que ponha fim a designação “paciente”.

Mary Beatriz Kist

REFERÊNCIAS

BARBOSA, Janice Gulin; MEIRA, Patrícia Leite de; DYNIEWICZ, Ana Maria. Hotelaria hospitalar novo conceito em hospedagem ao cliente. Cogitare Enfermagem. Curitiba, v. 18, n. 3, 2013. Disponível em: <http://revistas.ufpr.br/cogitare/article/view/33576/21074>. Acesso em: 19 jun. 2016.

CASTELLI, Geraldo. Hospitalidade: a inovação na gestão das organizações prestadoras de serviços. São Paulo: Saraiva, 2010.

PACIENTE. In: Dicionário Priberam. 2008-2013. Disponível em: <http://www.priberam.pt/dlpo/paciente> Acesso em: 31 maio 2016.

ROSA JUNIOR, Gilberto Dias da; SANTOS, Carlos Honorato Schuch. Hotelaria hospitalar: um estudo de caso no Hospital Divina Providência. Anuário de Pesquisa PPGTUR/UCS. Caxias do Sul, v. 1, n. 1, UCS, 2008. Disponível em: <http://www.ucs.br/etc/revistas/index.php/dossierosadosventos/article/viewFile/639/471>. Acesso em: 19 jun. 2016.

RENATTA, Livia. Hospital. Disponível em: <http://www.ebah.com.br>. Acesso em: 29 maio 2016.

SANTOS, Marcia Andréa Lopes dos; GOMES, Luciana da Silva. Qualidade da gestão hospitalar: parâmetros de qualidade. Contribuciones a la economia. [S. l.], nov. 2009. Disponível em: <http://www.eumed.net/ce/2009b/lssg2.htm>. Acesso em: 19 jun. 2016.

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