Hotelaria: dimensões no contexto pós-moderno

Hotelaria: dimensões no contexto pós-moderno

No consumo pós-moderno (FEATHERSTONE, 1995) do mercado de turismo, a gestão empresarial hospitaleira carece de novas perspectivas de desenvolvimento.

Neste sentido e buscando compreender possíveis dinâmicas de administração de recursos humanos, por exemplo, podería-se considerar o que Marx (1974) apud Castro (2012) afirma: “[…] valor é trabalho humano cristalizado. O capitalismo espolia o trabalhador quando não lhe retribui de acordo com o valor que incorporou no produto”.

E, mas especificamente no contexto da hospitalidade pós-moderna (GRINOVER, 2009), é importante refletir sobre o que Camargo (2003) pondera sobre tempos/espaços, modelos culturais neles embutidos relacionados aos públicos envolvidos (os residentes e os turistas, assim como os recursos humanos para atende-los).

É a partir da ótica sociológica da hospitalidade, conforme observado por  Neves e Alexandre (2006), que passa ser possível buscar uma ampliação da visão hoteleira comercial, para valorização e qualificação da mão-de-obra, no intento de pensar diferenciais dentro desse serviço em constante crescimento, também ao considerar a alteração das relações de trabalho.

Na busca competitiva por imagem de solidez, os sites de grandes redes hoteleiras (Four Seasons – Golden Rule, The Ritz Carlton – O Credo, Mandarin Oriental – com 12.000 funcionários como “recurso mais valioso”) assumem que a valorização de seu material humano é seu maior patrimônio.

Neste escopo, as declarações do renomado restauranter Fabrizio Fasano – à frente do famoso Grupo Fasano – à Revista da ABRASEL (2012), são reveladoras: em primeiro lugar o nível de salário fixo nosso está acima da média do mercado. Em segundo lugar, é um ramo em que as pessoas, garçons e maitres, ganham participações que os clientes dão.

Quanto melhor for o atendimento e o serviço prestado aos clientes maior será a receita que eles terão. Maior do que receberiam em outro restaurante. Com relação à qualificação, geralmente nossos funcionários começam na posição de commins [sic] e vão crescendo. É difícil você pegar pessoas prontas, porque cada empresa tem o seu tipo de funcionamento. Não adianta ele saber como é feito em um determinado restaurante. Ele precisa aprender como se faz no meu. Por isso, preferimos contratar pessoas que comecem de baixo e damos oportunidades para que possam crescer e evoluir de posto dentro dos restaurantes. Quando ele chega a maitre, por exemplo, com certeza já tem sete, oito anos de casa, no mínimo. Então esta formação é feita internamente para que possamos manter o nosso padrão.

Em proposta inovadora, Câmara (2005) apresenta a possibilidade de analisar a prática das interações sociais no âmbito da gestão de uma organização especializada na hospitalidade profissional, ao mencionar a abordagem de “transgressão” de valores gerenciais e romper com as certezas para demonstrar possibilidades e potencialidades e  produzir  gerência como fenômeno social.

Nas considerações finais de Neves e Alexandre (2006), o consumo da hospitalidade apresenta-se para o mercado como uma atividade típica do mundo pós-moderno e com ele a necessidade de prestar serviços que contemplem os visitantes e os anfitriões. Eles ponderam ainda sobre a visão de Camargo (2004): “a hospitalidade começa com uma dádiva”, e, a partir dela definem que a prestação de serviço é o que compõe a “dádiva” e que toda dádiva implica no interesse de retorno. Propõem assim,  perscrutar novas óticas de valorização do potencial humano no âmbito hoteleiro, Seria esta uma forma de estabelecer um diferencial de hospitalidade comercial pós-moderna?

Leslie Neto Mendes

REFERÊNCIAS

ABRASEL – Associação Brasileira de Bares e Restaurantes. Fabrizio Fasano: um ícone no mercado de luxo no Brasil. 2012. Disponível em: <http://www.abrasel.com.br/atualidade/entrevistas/428-fabrizio-fasano-um-icone-no-mercado-de-luxo-no-brasil.html>. Acesso em: 24 maio 2016.

CÂMARA, Leonor Moreira. Os limites do gerencialismo perante os requisitos das organizações de hospitalidade. Organizações e Sociedade. v. 12 n. 34. Bahia. 2005. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1984-92302005000300007&lang=pt>. Acesso em:  24 maio 2016.

CAMARGO, Luis Otávio de Lima. Os domínios da hospitalidade. In: DENCKER, Ada de Freitas Maneti, Bueno, Marielys Siqueira (Orgs.). Hospitalidade: cenários e oportunidades. São Paulo: Pioneira, 2003.

CASTRO, Celso Antonio Pereira de. Sociologia aplicada ao turismo. São Paulo: Atlas, 2002.

FEATHERSTONE, Mike. Cultura de consumo e pós-modernismo. São Paulo: Nobel, 1995.

GRINOVER, Lucio. A hospitalidade na perspectiva do espaço urbano. Revista Hospitalidade. São Paulo, v. VI, n. 1, jun. 2009. Disponível em: <https://www.revhosp.org/hospitalidade/article/view/214/284>. Acesso em: 30 maio 2016. NEVES, Ronaldo Mendes; ALEXANDRE, Mauro Lemuel. Consumo da hospitalidade na hiper realidade pós-moderna. IIICongresso Virtual Brasileiro de Administração. 24 a 26 nov. 2006. Disponível em: <http://www.convibra.org/2006/artigos/47_pdf.pdf>.  Acesso em: 21 maio 2016.

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