Impactos do turismo nas culturas locais

Impactos do turismo nas culturas locais

“O turismo diz respeito, essencialmente, à experiência do lugar. O ‘produto’ do turismo não é o destino do turismo, mas diz respeito à experiência daquele lugar e do que ali ocorre” (RYAN apud Castro, 2008), o que consiste de uma série de interações internas e externas entre as pessoas.

Segundo Milton Santos (2000), “a cultura é uma manifestação coletiva que reúne heranças do passado…”. Ao redor do mundo, muitos destinos têm a cultura local como grande atrativo turístico. Possuem características que fazem parte da história daquele local, como por exemplo o bumba-meu-boi e o frevo, que são tradições nordestinas; os cantores de jazz nas ruas de Nova Orleans e os gaúchos, tranquilos e tomadores de chimarrão, pelas ruas de Canela e Gramado.

O turismo é uma oportunidade de intercâmbio de pessoas e pode, ou não, contribuir com aquela região. Alguns dos impactos negativos do turismo na cultura local são: a sazonalidade, que pode causar perda de rendimentos em baixa temporada; a perda da essência das tradições locais, pois podem acabar virando um grande foco capitalista; destruição de natureza para a criação de atrativos; o uso de estrangeiros imigrantes como mão-de-obra, ao invés de investir no residente para ser qualificado para tal emprego; o custo para manter a segurança do local; etc.

Já alguns aspectos positivos são: os residentes passam a apreciar mais o patrimônio histórico, artístico e cultural; a criação de novos empregos; a economia da cidade; necessidade de melhoria contínua de infraestrutura e de qualidade de vida dos residentes; gastos dos residentes quando fazem uso de atrativos; interculturalidade, etc. Lickorish (2000) destaca um ponto de vista importante para estes contextos: “…vale salientar que, prioritariamente, estes investimentos [no turismo] devem favorecer a comunidade anfitriã, sendo fator decisivo para o sucesso da atividade turística.” Quando o capitalismo se sobrepõe à identidade cultural, há um grande risco de perder esta identidade. Ter identidade cultural é ter um conjunto de ideais, crenças e atitudes, que causam uma determinada percepção no turista. E uma forma de preservar tal identidade é conservando os patrimônios físicos, porém, mais importante que isso, é transformando os residentes em fãs daquela cidade. O primeiro passo? Mantê-los na cidade! Deve-se dar à eles motivos para ficar e amarem aquele lugar.

Lickorish (2000) reforça que os residentes não estão preparados para receber os turistas como algo que seja positivo, apesar deste causar transtornos: os turistas chegam a um país, trazem um tipo diferente de comportamento, podendo transformar profundamente os hábitos sociais locais através da remoção e da perturbação das normas já estabelecidas pela população local, que não apenas tem que aceitar os efeitos da superlotação, mas também precisa modificar seu modo de vida, além de ter que viver em contato com um tipo diferente de população, levando a xenofobia e tensão social, onde a população por motivos psicológicos, culturais ou sociais, não está pronta para ser submetida a uma “invasão de turistas.

É fundamental estabelecer uma política de preservação dos patrimônios físicos. No entanto, é ainda mais importante que os residentes que estão a serviço do turista sejam muito bem qualificados para receber e entreter os convidados e tenham conhecimento da cultura local, mantendo a essência daquela cidade. O que seria de Pernambuco sem os dançarinos de frevo? O que seria de Gramado e Canela sem os gaúchos? O que seria de Nova Orleans sem os moradores que expõem suas artes nas ruas?

Isso tudo só pode acontecer quando o poder público e as empresas privadas unem forças em vários aspectos, tais como as oportunidades de trabalho para os residentes e a qualificação profissional e cultural. Todos devem ter o mesmo objetivo, com o intuito de promover o turismo naquele local e manter vivo o seu legado histórico.

REFERÊNCIAS

CASTRO, Cláudia Steffens. Educação para o turismo: preservação da identidade regional e respeito à cultura imaterial. In: Fênix – Revista de História e Estudos Culturais. Out./Nov./Dez. 2008, v. 5, n. 4. Disponível em: <http://www.revistafenix.pro.br/PDF17/ARTIGO_07_CLAUDIA_STEFFENS_DE_CASTRO_FENIX_OUT_NOV_DEZ_2008.pdf>. Acesso em: 29 de abr. 2016.

LICKORISH, Leonard J. Introdução ao turismo. Rio de Janeiro: Campus, 2000.

SANTOS, Milton. Da cultura à indústria cultural. Folha Online. 19 mar. 2000. Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br/fol/brasil500/dc_3_10.htm>. Acesso em: 04 maio 2016. SILVA, Danielle et al. O Turismo e sua influência no comércio, comunidade e desenvolvimento local do sítio histórico de Olinda – PE. In: Documentos Técnico-Científicos. v. 44, n. 1, jan.-mar. 2013. Disponível em: <http://www.bnb.gov.br/projwebren/Exec/artigoRenPDF.aspx?cd_artigo_ren=1364>. Acesso em: 29 abr. 2016.

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