O empoderamento da mulher na hotelaria

O empoderamento da mulher na hotelaria

Sentimentalidade, garra, percepção, intuição, capacidade de realização de múltiplas tarefas, boa adequação da vida profissional com a pessoal, empatia no trato com clientes e colaboradores: essas são algumas das características que naturalmente fazem com que as mulheres estejam se destacando frente aos homens na ocupação de cargos importantes dentro de empresas, mais especificamente no ramo hoteleiro. (CHEMIN, 2016)

Atualmente, o que não falta no mercado de trabalho hoteleiro, é a presença de mulheres que ocupam papéis essenciais para o bom funcionamento do negócio. Mulheres que lideram grandes números de pessoas e ocupam cargos de níveis hierárquicos mais elevados dentro de um hotel, ou por que não de uma rede, como Chieko Aoki – fundadora e presidente da Rede Blue Tree Hotels. (DESIDÉRIO, 2016)

Nem sempre foi assim. Lutando para sair do estereótipo de ocupação unicamente de profissões do lar, e diminuir o abismo existente entre os gêneros, muitas mulheres usam da sua sensibilidade na tomada de decisões, aliada não só a competência em servir, mas também a força de se provarem todos os dias como capazes, para reverter um estigma marcado por vários séculos.

O empoderamento da mulher no ramo hoteleiro começou devagar. Se hoje conseguem ser muito mais valorizadas na disputa de cargos que antes eram predominantemente masculinos, o mérito é todo delas. Através da busca pelo conhecimento, da postura profissional, do aprimoramento de qualificação nacional e internacional, elas conseguiram se impor nas entrevistas de trabalho, ampliando seu leque de opções que antes eram restritos para cargos menores, como camareiras e auxiliares de recepção, para atingirem as profissões de primeiro escalão. (REVISTA HOTÉIS, 2015)

É o que confirma Regina Helena Vianna, gerente geral do WZ Hotel Jardins, situado na capital paulista, que alcançou seu destaque também pela valorização dos seus funcionários e por sua capacidade de trabalhar em equipe.

Quando eu iniciei na hotelaria, há duas décadas, eu via a maioria das mulheres atuando apenas em cargos operacionais. Hoje, muitas delas estão no comando, seja gerenciando setores, seja gerenciando grandes hotéis. (CHEMIN, 2016)

Para Jacqueline Salles, gerente geral do Holiday Inn, considerado o maior hotel do Brasil, além das mulheres terem um lado humano mais aflorado na tomada de decisões, o fato de conseguirem realizar múltiplas tarefas, as coloca em posição de vantagem. “A gestão feminina tem sido cada vez mais vista nas empresas, na hotelaria não é tão recente, mas a cada dia temos mais notícias sobre mulheres ocupando cargo de gerência e obtendo excelentes resultados” (CHEMIN, 2016).

Não é a toa que as mulheres vem ganhando destaque. Hoje, elas tem mais oportunidades para demonstrarem os seus valores. Na rede Blue Tree, mais de 60% da força de trabalho é feminina. No ano de 2015, 3 em cada 4 gerentes gerais eram mulheres no Grupo Fasano. No primeiro hotel boutique de Curitiba no Paraná, elas integram mais da metade da equipe, ocupando todos os cargos de chefia, como Carolina Nacli, gerente e diretora do Nomaa Hotel. (CHEMIN, 2016; REVISTA HOTÉIS, 2015)

Embora tenha havido um avanço de visibilidade com o passar das décadas, ainda há muito o que se fazer pela igualdade de gêneros no mercado de trabalho tanto brasileiro quanto do mundo afora. Projetos como o WAAG ( Women at Accor Generation), desenvolvido desde o ano de 2012 pelo Grupo Accor, busca incentivar mulheres dos mais diversos setores da hotelaria a se candidatarem e ocuparem cargos de gerência. O objetivo do programa é que pelo menos 35% de seus colaboradores sejam mulheres em cargo de gerência. (EBOHON, 2016)

Nesse aspecto, ponto para o Brasil, que vem correspondendo às expectativas do WAAG , e encabeça o ranking de mulheres em cargos de liderança na América do Sul. Aqui, as estatísticas estão em 50% de mulheres gerentes no país, para 233 unidades. Em lugares como Chile e Colômbia, com 33 hotéis e antes da adoção do programa, exerciam apenas 18% de cargos representativos, conforme dados constantes na reportagem da Hotelier News. (EBOHON, 2016)

Esses dados levam a crer, que muito já se evoluiu quanto a igualdade de gêneros. Porém, não se pode negar que a discriminação, até agora, é algo que ainda se faz presente: a diferença de salários, a não oportunização de chances, a subordinação.

No momento de serem aceitas ou não em determinado emprego, muitas mulheres ainda precisam constantemente enfrentar a dúvida quanto a sua capacidade, simplesmente por pertencerem ao gênero. E isso se dá não só por determinado cargo que pleiteiam ser historicamente de predominância masculina; mas também porque elas, ainda hoje, precisam provar que eficiência e qualidade no desempenho de atividades, transcende o fator sexualidade.

Emilia Lavinia Janeri Barbosa

REFERÊNCIAS:

CHEMIN, Patricia. 10 mulheres no comando de hotéis. 08 mar. 2016. Disponível em: <http://www.qualviagem.com.br/8-mulheres-no-comando-de-hoteis>. Acesso: 01 jun. 2016.

DESIDÉRIO. Mariana. Chieko Aoki: ‘Avanço da mulher nas empresas é irreversível’. 08 mar. 2016. Disponível em: <http://exame.abril.com.br/pme/noticias/chieko-aoki-avanco-da-mulher-nas-empresas-e-irreversivel>. Acesso em: 17 jun. 2016.

EBOHON, Giulia. Mulheres na liderança: WAAG e o incentivo às mulheres na gerência de hotéis da AccorHotels. 25 abr. 2016. Disponível em: <http://www.hoteliernews.com.br/noticias/mulheres-na-lideranca-waag-e-o-incentivo-as-mulheres-na-gerencia-de-hoteis-da-accorhotels-70427>. Acesso: 02 jun. 2016.

REVISTA HOTÉIS. Aumenta o número de mulheres em cargos gerenciais nos hotéis de luxo. 15 jan. 2015. Disponível em: <http://www.revistahoteis.com.br/aumenta-numero-de-mulheres-em-cargos-gerenciais-nos-hoteis-de-luxo>. Acesso: 01 jun. 2016.

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