O espaço transformado em estética de hospitalidade

O espaço transformado em estética de hospitalidade

Desde muito tempo a indústria hoteleira vem sofrendo transformações, mas sempre com o objetivo de melhorar os serviços prestados as pessoas. E, com isso, cada hotel tende a buscar o seu diferencial.

O hotel transcendeu sua função, deixou de ser somente um local que oferecia abrigo, refeições e passa a oferecer prazer e satisfação aos clientes. O resultado disto do ponto de vista projetual é o renascimento da personalidade dos espaços. (UREN et al., 2013, p. 1)

Segundo Chimirra (2010, p. 11):

os espaços internos ou externos produzem uma linguagem cultural que rompe a característica física do local em que foi projetado. A história do uso urbano nos ensina que o indivíduo pensa, despreza, deseja, escolhe suas tendências e prazeres.

Estes espaços estão sendo cada vez mais priorizados pela arquitetura, como Anes (2012, p. 13 e p. 15) enfatiza:

a necessidade do abrigo vem desde tempos imemoriais e a arquitetura sempre acompanhou essa evolução antropológica, desde os estádios [sic] mais básicos e elementares às abordagens e formalizações mais elaboradas. Será porventura esta a verdadeira dimensão e semântica da arquitetura. Para Alberti, a “casa” possui três categorias fundamentais de adequação: a primeira, diz respeito à necessidade de ter abrigo; a segunda, que se prende à primeira, traduz-se na capacidade desse abrigo oferecer conforto; a terceira, envolve a voluptuosidade, o prazer e a satisfação do utente.

Conforme Uren et al. (2013, p. 2), o elemento fundamental para elaboração de um projeto arquitetônico é a espacialidade de cada hotel, sendo que as evidências sobre a hotelaria e arquitetura, demonstra o fenômeno de geração e captura de valores e qualidade diferenciadas nos espaços, considerando as diferentes estruturas que contém cada hotel, é a apropriação das qualidades de um lugar, a criação e a captura de valores em uma economia de símbolos e espaços.

Diante dos fatos históricos podem-se observar diversos momentos em que se fizeram sentir, de forma mais evidente, a ascensão da oferta hoteleira, em relação aos maiores fluxos de hóspedes. A resposta a essas dinâmicas foi sendo correspondida com formalizações arquitetônicas adequadas, simultaneamente moldadas à evolução antropológica, social e econômica (ANES, 2012, p. 15).

“Reflexo dos tempos, assistimos hoje a uma diversidade de hotéis, com resposta múltipla às diversas vicissitudes, com programas e conceitos bem variados e com graus de exigência plurais”. (ANES, 2012, p. 17).

Perante tudo isto, Uren et al. (2013, p. 3 e p. 5), destacam o termo “conceito de Hotel Design”, pois “nos últimos anos a hotelaria vem se expandindo em uma notável evolução no design de hotéis ao redor do mundo”.

Com designs tão surrealistas e cenográficos, já está se criando roteiros turísticos para visitação a hotéis. Seus aspectos despertam e provocam de uma forma tal que passam a ser símbolo de desejo. Ou seja, o cliente quer ir a um hotel que ele jamais imaginava que existiria. Portanto, merecem atenção projetos que superam o rotineiro e podem ser incluídos no conceito de Hotel Design (UREN et al.,2013, p. 3 e p.5).

Geralmente os hotéis design localizam-se nos centros das cidades, seja nos centros históricos, ou próximos a ele. Mas podem também ser encontrados fora deste contexto, em outros bairros. Estes hotéis destinam-se a vários tipos de turismo, desde lazer, negócios ou eventos, por exemplo, e visam à captação de várias classes de turistas, mas sobretudo de uma classe com um gosto estético mais refinado. Neste caso, a arquitetura é frequentemente colocada em segundo plano e dá-se prioridade à decoração. Isto acontece porque os hotéis design surgem muitas vezes de recomposições decorativas de hotéis já existentes, com toques de suposto requinte, elegância, charme e sofisticação estéticos (ANES, 2012, p. 31).

Contudo, há casos de hotéis design em que o valor arquitetônico se afirma. Surgem nestas circunstâncias alguns hotéis construídos de base, pois todo o projeto assegura desde a sua constituição a preocupação com a qualidade espacial e formal e, sob o ponto de vista da complementação disciplinar, surge em paralelo o design e a preocupação estética/decorativa (ANES, 2012, p. 31).

Mas só a decoração não basta. Ultimamente, algumas redes hoteleiras estão evoluindo e construindo os “quartos inteligentes”, o qual respondem as reais necessidades de seus usuários. Conforme se percebe, as evidências mostram que o quarto do hotel tornou-se uma casa temporária, um lugar não só para passar a noite, mas para trabalhar e fazer negócios. Então, o mobiliário é flexível e adaptável com espaços que permitem ao usuário transformar uma área de dormir num espaço de trabalho em poucos segundos. Como, por exemplo, quartos com instalações de minicozinhas. Tudo passa a fazer parte do design, assim como computadores e equipamentos de telecomunicações. Assim, o quarto do hotel é uma área multifuncional de lazer, relax, negócios, diversão e recreação (UREN et al., 2013, p. 6 e p. 7).

Anes (2012, p. 21) complementa:

no campo da arquitetura, é importante que a resposta preencha as necessidades e programas econômicos e estratégicos de forma objetiva, mas cabe perceber até que ponto a disciplina organizadora do espaço se torna indispensável e se revela uma mais-valia para a competitividade do setor e, sobretudo, para a sua qualificação.

Mirana Maria Domingues Troglio

REFERÊNCIAS

ANES, Nelson Bruno Mesquita. Hotel: a importância e o valor diferenciador da arquitetura. Portugal: FCTUC, 2012. Disponível em: <https://estudogeral.sib.uc.pt/bitstream/10316/20943/1/HOTEL_A%20IMPORTANCIA%20E%20O%20VALOR%20DIFERENCIADOR%20DA%20ARQUITETURA%20-%20Bruno%20Anes.pdf>. Acesso em: 1 jul. 2016.

CHIMIRRA, Vanessa. A imagem do centro: hospitalidade e arquitetura na cidade de São Paulo. São Paulo: Anhembi Morumbi, 2010. Disponível em: <livros01.livrosgratis.com.br/cp146812.pdf>. Acesso em: 1 jul. 2016.

UREN, Flavio Henrique da Rosa et al. Hotéis e a nova estética do espaço. Revista Especialize. Goiânia, v. 1, n. 6, dez. 2013. Disponível em: <www.ipog.edu.br/download-arquivo-site.sp?arquivo=hoteis-e-a-nova-estetica…pdf>. Acesso em: 1 jul. 2016.

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