O movimento slow food como fomentador do turismo

O movimento slow food como fomentador do turismo

Comparando a época em que vivemos com o início do século XX, é possível perceber a grande aceleração nos cotidianos dos indivíduos, principalmente daqueles que vivem em grandes centros urbanos. Com tantas atividades a serem feitas no curto período de um dia, é comum que o tempo das refeições seja menosprezado. Foi a falta de tempo e as longas jornadas de trabalho que deram origem aos fast-foods (COSTA, 2014, p. 65), restaurantes que oferecem comida rápida e barata, que podem ser consumidas em qualquer lugar.

De acordo com Giuliana Ansiliero (2006), a aceleração da vida moderna fez com que o caráter ritualístico e os aspectos de comensalidade fossem deixados em segundo plano, dando lugar à praticidade da comida industrializada e dos restaurantes. Em oposição ao processo de aceleração do dia-a-dia, um grupo de pessoas na Itália, na década de 80, iniciou um movimento que prega lentidão e a reflexão do homem sobre sua relação com o tempo e o alimento. (GURGEL; MARTINS; MARTINS; 2016, p. 230). Esse movimento é conhecido como slow food – refeição lenta.

A ideia principal da proposta é “que aquilo que se ingere deve ser cultivado, cozido e consumido em ritmo de tranquilidade”. Com a popularização desse movimento, que já conta com adeptos ao redor do mundo, um novo segmento de mercado pode ser explorado: o turismo gastronômico que valoriza o rito alimentar. (GURGEL; MARTINS; MARTINS; 2016, p. 230).

O slow food passa a ser um elemento importante do turismo gastronômico no momento em que desenvolve e promove a integração e o usufruto das paisagens, saberes e sabores de cada região de uma maneira que respeita e valoriza as comunidades e territórios envolvidos, usando sempre produtos locais e sazonais (CAETANO; LAMBERTO, 2010, p. 2).

Pensando nisso, diversas cidades – rurais ou não – estão usando a crescente popularização do slow food como fomentador da atividade turística.  A cidade de Recife, por exemplo, elaborou um guia gastronômico com o intuito de ajudar as agências de turismo a criar roteiros originais baseados na culinária local (GURGEL; MARTINS; MARTINS, 2016, p. 230).

De acordo com Costa (2014), a alimentação sempre esteve ligada com a hospitalidade. O movimento slow food contribui muito para isso. Como afirmam Gurgel, Martins e Martins (2016), a comida deve ser consumida em ritmo tranquilo e isso faz com que a hospitalidade torne-se ainda mais importante. Durante uma alimentação tranquila, existe mais espaço para conversas e para o convívio social. Um grande desafio dos estabelecimentos que pregam o slow food é, portanto, fornecer ao turista não somente o alimento saudável e sazonal, mas também um ambiente acolhedor e familiar, que faça com que o comensal se esqueça dos compromissos do dia-a-dia e tenha uma experiência completa do Movimento.

Mônica Villas Bôas

REFERÊNCIAS

ANSILIERO, Giuliana. O movimento slow food: a relação entre homem, alimento e meio ambiente. Brasília: Universidade de Brasília, 2006. Disponível em: <http://bdm.unb.br/bitstream/10483/470/1/2006_GiulianaAnsiliero.pdf>. Acesso em: 6 maio 2016.

CAETANO, Paulo Sa; LAMBERTO, Victor. Geoturismo Slow. Revista Electrónica de Ciências da Terra. Almada, v. 15, n. 56, p. 1-4. 2010. Disponível em: <file:///C:/Users/User/Downloads/383-1750-1-PB.pdf>. Acesso em: 13 maio 2016.

COSTA, Ewerton Reubens Coelho. Comensalidade: a dádiva da hospitalidade através da gastronomia. Revista de Cultura e Turismo. Ilhéus, n. 9,  jun. 2015. Disponível em: <http://www.cleongostinski.com/files/upload/86993848.pdf>. Acesso em: 6 maio 2016.

GURGEL, Lorena Ibiapina; MARTINS, José Clerton de Oliveira; MARTINS, Uiara Maria Oliveira. Experiências com a gastronomia local: um estudo sobre o movimento slow food e o turismo gastronômico na cidade de Recife – Brasil. Revista de Turismo y Patrimonio Cultural. Santa Cruz de Tenerife, v.14, n.1, 2016. Disponível em: <http://www.redalyc.org/articulo.oa?id=88143642016>. Acesso em: 6 maio 2016.

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