Os maiores equívocos cometidos com os índios

Os maiores equívocos cometidos com os índios

Embora os índios já habitassem as terras brasileiras desde a colonização dos europeus, muito pouco se sabe da história dos índios. Segundo Freire (2002, p.2),

“a produção de conhecimentos nesta área não condiz com a importância do tema. As pesquisas são de uma pobreza franciscana. O resultado disso é a deformação da imagem do índio na escola, nos jornais, na televisão, enfim na sociedade brasileira”.

Durante muito tempo acreditou-se que não haviam documentos suficientes para contar um pouco mais da história dos índios no Brasil. Porém, a antropóloga Manuela Carneiro da Cunha, em 1991, elaborou um projeto para verificar esta veracidade.

José Ribamar Bessa Freire coordenou este projeto no Rio de Janeiro e se surpreendeu com o resultado, pois encontraram manuscritos que contavam a história dos índios em todo o âmbito nacional.

A partir desta pesquisa, Freire (2002), elaborou uma palestra onde se intitula e se destaca cinco ideias equivocadas sobre os índios. A primeira, que o índio é genérico, segundo Freire (2002), a maioria dos brasileiros acredita que os índios falam a mesma língua, têm a mesma crença e têm a mesma cultura. Isto não é real, pois existem mais de 200 etnias, falando 188 línguas diferentes.

A segunda é a cultura atrasada e primitiva, isto vem desde a colonização que considerava a língua indígena inferior, mas também não é verdade. Sabe-se que não existe língua inferior. Além disso, os povos indígenas produziram saberes, ciências, arte refinada, literatura, poesia, música, religião. A terceira é cultura congelada, quando se tem o estereótipo do índio, não se aceita a mudança na sua cultura, como a que acontece em qualquer cultura de acordo com a necessidade. A quarta é que os índios pertencem ao passado, segundo José Ribamar Bessa Freire, “os índios, é verdade, estão encravados no nosso passado, mas integram o Brasil moderno, de hoje, e não é possível a gente imaginar o Brasil no futuro sem a riqueza das culturas indígenas”. E a quinta é que o brasileiro não é índio, conforme Freire (2002, p. 19),

o quinto equívoco é o brasileiro não considerar a existência do índio na formação de sua identidade. Há 500 anos atrás não existia no planeta terra um povo com o nome de povo brasileiro. Esse povo é novo, foi formado nos últimos cinco séculos com a contribuição, entre outras, de três grandes matrizes: […] matrizes europeias, […] africanas e […] indígenas.

José Ribamar Bessa Freire (2002, p. 23), conclui dizendo: “Esses não são os únicos equívocos que cometemos em relação aos índios e a nós mesmos, mas talvez sejam aqueles que mereçam urgentemente ser discutidos”.

Mirana Maria Domingues Troglio

REFERÊNCIA

FREIRE, J.R. Bessa. Cinco ideias equivocadas sobre o índio.  22 abr. 2002. Disponível em: <http://www.taquiprati.com.br/arquivos/pdf/Cinco_ideias_equivocadas_sobre_indios_palestraCENESCH.pdf>. Acesso em: 15 de abr. 2016.

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