Restaurantes temáticos pedem uma hospitalidade aplicada

Restaurantes temáticos pedem uma hospitalidade aplicada

Sabe-se que a gastronomia tornou-se um fator de extrema importância para a atratividade turística. Ela possibilita ao turista se sentir envolto na cultura local. Ele passa a presar, portanto, a caracterização dos ambientes de serviço. Schluter (2003, p. 44) atribui grande importância aos restaurantes temáticos. Neles, os visitantes valorizam as abordagens criativas, não apenas ligadas à indústria do entretenimento, mas sobretudo as que contemplam de forma característica os aspectos típicos regionais e nacionais. Espaços gastronômicos temáticos transcendem a função básica de alimentar, ganhando o status de espaços de entretenimento (SILVA; MEDEIROS, 2006), começando pelo diferencial alimentício, considerando os serviços oferecidos de forma característica e ainda a existência de uma decoração atraente, seguidos de propostas exclusivas de envolvimento com os clientes, conforme o  desenvolvimento e a abordagem do conceito temático adotado.

Para atrair os clientes de maneira eficaz e fazer com que eles se sintam atraídos para visitar o local, uma das principais particularidades é conseguir inserir na arquitetura a identidade local de forma que satisfaça o público. Gottdiener (1997) considera que estes ambientes traduzem uma tendência em utilizar características simbólicas e estereotipadas, através da gastronomia, da decoração e da experiência como um todo.

Para a captação de um público diferenciado, o importante é focar na criatividade e originalidade. Como diz Stuart Mill: “Todas as coisas boas que existem são os frutos da originalidade” (PENSADOR, 2005/2006). Assim, o restauranter deve se sentir livre para interpretar o tema escolhido, partindo da escolha de ingredientes, definindo a execução do cardápio e nomeação dos pratos, criando uma atmosfera cativante através do design e da decoração dos ambientes, até a escolha da música ambiente, por exemplo.

Um restaurante temático é um espaço singular, devido há algumas particularidades que podem ser interessantes para alguns, mas impróprias para outros. O serviço hospitaleiro neste contexto, na grande parte das vezes implica em uma restrição de público. Por exemplo, a adoção de uma temática infantil, seria mais apropriada para famílias com crianças. Assim, casais sem filhos, pessoas solteiras ou executivos teriam dificuldade em se sentir a vontade neste tipo de ambiente. Poder-se-ia falar na existência de uma hospitalidade aplicada (MORETTI, 2015) a uma realidade específica, capaz de motivar muitos clientes a frequentar o espaço de serviço, mas que também irá promover o distanciamento de outros.

O importante é atender bem o público para o qual o espaço foi criado e assim aplicar os condicionantes de hospitalidade de maneira criteriosa. Num restaurante é preciso considerar a cadeia de serviços sob a perspectiva da hospitalidade. A arte de receber é capaz de inserir o hóspede de maneira acolhedora na familiarização do lugar. Na sua hospedagem, a palavra chave para o sucesso desse processo é a segurança, dada a ele para que tenha uma experiência memorável. Alimentá-lo com grande variação de alimentos e bebidas ligados à temática faz com que o cliente se sinta realizado. Na sequência, entretê-lo visualmente torna a temática mais apropriada e a realização mais completa. Para a implicação de um momento inesquecível, despedir-se é essencial e pode tornar real a possibilidade de fidelização do cliente. (CASTELLI, 2010)

Gabriele Giuriatti

REFERÊNCIAS

CASTELLI, Geraldo. Hospitalidade: a inovação na gestão das organizações prestadoras de serviços. São Paulo: Saraiva, 2010.

GOTTDIENER, M. The theming of America. Boulder: Westview Press, 1997.

MORETTI, Sérgio Luiz do Amaral. Encontros de hospitalidade, experiência de consumo, serviços e relacionamento com clientes: proposta para uma integração disciplinar. In: XII Seminário da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Turismo. Natal, 30 set. a 02 out. 2015. Disponível em: <http://portal.anhembi.br/mestradoprofissional/bibliografia/Encontros%20de%20hospitalidade,%20experi%C3%AAncia%20de%20consumo,%20servi%C3%A7os%20e%20relacionamento%20com%20clientes%20%20-%20Anptur%202015%20.pdf>. Acesso em: 14 maio 2016.

PENSADOR. Biografia de John Stuart Mill. 2005-2006. Disponível em: <http://pensador.uol.com.br/autor/john_stuart_mill/biografia>. Acesso em: 14 maio 2016.

SCHLÜTER, R. G. Gastronomia e Turismo. São Paulo: Aleph, 2003.

SILVA, Erotilde Honório; MEDEIROS, Carolina de Castro. As representações da cultura popular nos bares e restaurantes temáticos de Fortaleza. UNIrevista. Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia, v. 1, n. 3. Ceará, jul. 2006. Disponível em: <http://digitalmundomiraira.com.br/Patrimonio/ArquiteturaTradicional/Diversificado/As%20representacoes%20da%20cultura%20popular%20nos%20bares%20e%20restaurantes%20de%20Fortaleza%20-%20Silva%20e%20Medeiros.pdf>. Acesso em: 14 maio 2016.

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