Veganismo: a hotelaria precisa criar alternativas

Veganismo: a hotelaria precisa criar alternativas

Um mercado consiste de todos os consumidores potenciais que compartilham de uma necessidade ou desejo específico, dispostos e habilitados para fazer uma troca que satisfaça essa necessidade ou desejo. (Kotler, 2008, p. 31)

Uma nova era; um novo mundo: necessidades específicas surgem e o desejo de consumi-las precisa ser saciado. O novo consumidor está mais exigente e com isso busca adquirir os produtos que deseja não mais em locais específicos, mas em todos os locais em que esteja.

Em 1944 surgiu o movimento Vegan (PAZZINI, 2014), que se resume basicamente em extinguir toda e qualquer forma de violência contra os animais, na medida do possível e praticável, para alimentação, vestuário, cosméticos, etc.. Muitos ainda confundem o veganismo com o vegetariano, mas o que essas pessoas não sabem, é que o veganismo não se refere apenas a dieta alimentar dos indivíduos vegan: vai muito além. O Veganismo é uma filosofia, um estilo de vida (TRIGUEIRO, 2013).

No decorrer dos últimos anos, o consumo de alimentos veganos ao redor do mundo tem aumentado muito (CHAVES, 2016). Assim, os que os apreciam são consumidores potenciais que precisam ter as suas necessidades e desejos satisfeitos. Os vegans viajam e buscam locais em que hajam produtos que possam ser consumidos por eles livremente (XAVIER, 2016).

Vê-se claramente nos dias atuais, que poucos empreendimentos hoteleiros se preocuparam em atender a essa demanda (SANTOS, 2014), o que, de certa forma, acaba gerando baixa na economia. O público vegan é exigente, e, muitas vezes, deixa de ir a algum lugar, exatamente por não ter opções de produtos que possam consumir.

A hotelaria precisa se adaptar a esse público, a esse segmento. Existem algumas maneiras de fazer isso. Primeiramente, deve-se adaptar os cardápios dos restaurantes dos hotéis, e também as opções para o café da manhã. Em muitos estabelecimentos, o café da manhã é, basicamente, composto por leites, ovos, queijos, embutidos, manteiga e pouquíssimas opções de frutas, frutas secas, castanhas, grãos, pães e patês sem matéria-prima animal. São produtos que podem facilmente ser inseridos na primeira refeição do dia, porque agradam também ao público não vegan que busca opções de alimentos mais saudáveis. Depois, é preciso adaptar as UH’s com amenidades que não tenham em sua fórmula produtos de matéria-prima animal, ou que tenham sido testados em animais. As marcas Granado e Giovanna Baby, de perfumaria, são reconhecidas nacionalmente por não testarem seus produtos em animais (SPITZCOVSKY, 2015). Já para a higienização bucal há a marca nacional Contente. Essas marcas podem ser fornecedoras dos produtos de higiene para os hóspedes vegans.

Os meios de hospedagem que encontrariam maior dificuldade para se adaptar seriam os hotéis fazenda que por muitas vezes usam de trabalho animal para entreter os seus hóspedes. No entanto, essa dificuldade pode se tornar um grande desafio e no final dar muito mais certo e se tornar em Atrativos. No lugar de usarem animais para o trabalho, eles poderiam criar os animais livres e iniciar um projeto de santuário animal, preservando a vida, a saúde física e emocional, e a integridade destes. O santuário seria uma maneira de atrair pessoas que se interessam pelos direitos dos animais, pela filosofia vegan e pela igualdade das espécies.

No Brasil e no mundo alguns meios de hospedagem já se adaptaram e alguns, até mesmo, mudaram completamente seu estilo para se adequar a esse mercado. Em Campos do Jordão/SP, o Hotel Serra da Estrela, que é um hotel de alto padrão, recentemente mudou todo o seu cardápio e inseriu mais de 40 opções veganas, sendo que em refeições como almoço e jantar não há mais pratos com carne, mas no café-da-manhã ainda há alguns embutidos e queijos, o que eles pretendem mudar em breve (HOTEL SERRA DA ESTRELA, [s. d.]). Internacionalmente, há o Hotel Wynn, do mega empresário Steve Wynn (WYNN, [s.d.].), que também é vegano, os seis restaurantes possuem opções veganas no cardápio.

O futuro é uma realidade presente na mente dos empresários triunfadores. À medida que houver uma mentalidade aberta para as mudanças, aí residirá, em grande parte, o sucesso dos negócios. As transformações vêm acontecendo em um ritmo bastante acelerado. Por isso, é necessário que os dirigentes possuam aptidão para as mudanças e a devida agilidade para adaptar os seus negócios dentro das novas exigências. (Castelli, 2006, p. 152)

Assim, com o crescimento do público vegan, é necessário que o mercado hoteleiro se adapte e proponha alternativas para atender a este crescente segmento de mercado.

Aline Tavares de Farias

REFERÊNCIAS

CASTELLI Geraldo. Gestão hoteleira. São Paulo: Saraiva, 2006.

CHAVES, Fábio. Líder mundial em inteligência de mercado prevê aumento na demanda por produtos veganos. 05 jan. 2016. Disponível em: <https://vista-se.com.br/lider-mundial-em-inteligencia-de-mercado-preve-aumento-na-demanda-por-produtos-veganos>. Acesso em: 15 jun. 2016.

HOTEL Serra da Estrela. Restaurante Alquimia. [s.d.], Campos do Jordão. Disponível em: <http://www.hotelserradaestrela.com.br/restaurante-alquimia-1/restaurante-alquimia.htm>. Acesso em: 15 jun. 2016.

KOTLER, Philip. Administração de marketing: análise, planejamento, implementação e controle. São Paulo: Atlas, 2008.

PAZZINI, Bianca. O veganismo como prática de justiça e igualdade: perspectivas descoloniais pela consagração de um novo direito. In: CONGRESO DE ESTUDIOS POSCOLONIALES. Anais. Buenos Aires: [s.n.], 2014. Disponível em: <http://www.idaes.edu.ar/pdf_papeles/Artigo.pdf>. Acesso em: 15 jun. 2016.

SANTOS, Raiza O. Alimentos orgânicos e vegetaríamos: uma preocupação coerente no hotel. Revista Hotéis. São Paulo, 08 out. 2014. Disponível em: <http://www.revistahoteis.com.br/alimentos-organicos-e-vegetarianos-uma-preocupacao-coerente-no-hotel>. Acesso em: 15 jun. 2016.

SPITCOVSKY, Débora. 42 marcas de cosméticos do Brasil que não testam em animais. [S. l.], 08 jun. 2015. Disponível em: < http://www.thegreenestpost.com/42-marcas-de-cosmeticos-do-brasil-que-nao-testam-em-animais>. Acesso em: 15 jun. 2016.

TRIGUEIRO, Aline. Consumo, ética e natureza: o veganismo e as interfaces de uma política de vida. Interthesis. Florianópolis, v. 10, n. 1, 2013. Disponível em: <https://periodicos.ufsc.br/index.php/interthesis/article/view/25643>. Acesso em: 15 jun. 2016.

XAVIER, Idelter. Go vegan! Metrópole Magazine. São José dos Campos, ano 2, n. 15, maio 2016. Disponível em: <https://issuu.com/portalmeon/docs/maio>. Acesso em: 15 jun. 2016.

WYNN. Vegan and vegetarian dining. Las Vegas, [s.d.]. Disponível em: <http://www.wynnlasvegas.com/Dining/VegetarianDining>. Acesso em: 15 jun. 2016.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.